Manifestantes contra o Iptu lotam Câmara
A cena lembrava situação semelhante, ocorrida há pouco tempo. O local era o mesmo, a Câmara Municipal de Brusque. Mudaram apenas os personagens. Daquela vez o alvo eram dois vereadores, um do bloco de oposição (Roberto Pedro Prudêncio Neto) e o outro do governo (Ademir Braz de Sousa), supostamente ligados à Operação Arrastão da Polícia Federal. Agora, os papéis se inverteram e o Poder Executivo parou na berlinda. O motivo? Iptu.
Um grande número de manifestantes tomou conta dos espaços na Câmara na noite de ontem (2). A maior parte era de pessoas da comunidade, levadas ao Legislativo a partir de convites feitos por membros e simpatizantes do Psdb PDT e Democratas. A intenção era protestar contra a prefeitura pelo aumento nos valores do Imposto Territorial e Predial Urbano (Iptu).
Nos fundos do espaço destinado aos visitantes, quatro pessoas empunhavam duas faixas. Em uma delas se lia “Abaixo o Iptu”, enquanto que a outra carregava a frase “Facada nas costas do povo brusquense”.
Quando um representante do governo subia à tribuna para discursar, recebia xingamentos e cobranças por parte de alguns na plateia. Situação que se invertia nos momentos em que o ocupante era um vereador da oposição, surgindo salvas de palmas. O vereador Ademir Braz de Sousa (Pmdb) pediu à mesa diretora que tomasse providências para que os trabalhos pudessem continuar. “Eu exijo, pelo menos no meu voto, respeito”, disse ele.
As críticas maiores eram quando o líder do governo ocupava o espaço. Valmir Ludvig (PT), no entanto, se disse favorável à manifestação e buscou não responder aos xingamentos. “Respeito. Não sou como certos vereadores”, afirmou, referindo-se às abordagens na ocasião em que os manifestos estavam voltados para o caso dos caça-níqueis e o suposto envolvimento de parlamentares da Casa.
Enquanto os trabalhos se desenrolavam dentro da Câmara, com o governo sendo novamente bombardeado pela oposição no assunto Iptu, do lado de fora viaturas da Polícia Militar aguardavam um possível chamado da mesa diretora. O que não foi necessário.
Apesar do protesto, a sessão não foi interrompida em nenhum momento e o presidente se limitou a chamar a atenção da plateia em poucas ocasiões, embora o protesto tenha se estendido. Foram aprovados um projeto de lei que remaneja o valor de R$ 1 milhão ao Samae, referente ao orçamento de 2009, além de um requerimento para que a subseção Brusque da OAB se manifeste publicamente sobre a polêmica envolvendo o aumento do Iptu.
Os vereadores aprovaram também duas moções e dois pedidos de informações: um sobre a agência contratada para fazer a publicidade do Samae e o outro para que a prefeitura apresente toda a documentação referente ao estudo que levou ao reajuste do Iptu.


